The Citadel: a trilogy | Call me when you get there

    The Citadel: a trilogy | Call me when you get there

    Viewing Room
    Curatorship: Paulo Kassab Jr.
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    Isolamento Eduardo | Plate SF DJI 0278

    , 2020

    Fires

    Countless myths about the origin of fire -from Brazilian indigenous peoples to the Greeksmake allusion to its transforming power and latent threat. While in Greece it is Prometheus who steals fire from the Olympus and offers it to men, in the mythology of the Suruí Paiterei, it is the black bird, Orobab, which deceives the Mekô jaguar, owner of fire, and takes its flames to the humanity—in both cases bringing wisdom, but also misfortune. Even if it is essential to understand such allegories from the perspective of the values of the society in which they arise, through the similarity between them, we can follow traces that lead us to understand the ember as a landmark, symbol of the distinction between nature and culture.

    If there is a notion of sociocultural revolution based on the domain of fire, it is also from this that the first drawings appear, the embryo of our inventive capacity to think about external nature, imagine it and represent it with sticks of burnt wood, charcoal, on the walls of caves.

    Contemplating Kilian Glasner’s work as a whole is to peek at the history of drawing and understand its close connection with fire in its subversive but also creative power. This relationship appears in his work for the first time in 2010, in “The brilliant future of sugarcane”, at the Calouste Gulbenkian Foundation (Lisbon). In the installation, the artist fills the walls of the institution’s parking lot with drawings of a huge sugarcane plantation. Upon learning that Calouste Gulbenkian was also known as the “Lord of Oil” and convinced of the advantages of using renewable energy, Glasner makes visitors witness the headlights of their cars, reflected in the design, setting fire to the sugarcane fields.

    Isolamento Dado e Marina | Plate DJI_0151

    , 2020

    Isolamento Lipe | Plate DJI_0647

    , 2020

    Isolamento Vitor Marigo | Plate DJI_0445

    , 2020

    Ser capaz de fotografar o vazio de cada um, me parece um engajamento ambicioso. A fotografia sempre valoriza capturar o momento da ação em sua plenitude. Edinger, buscou retratar o contrário, a não-ação, o tédio, a espera, a contemplação infinita do tempo respeitando cada entorno como o contexto que os protege e identifica.

    Claudio Edinger é um fotógrafo escolado nas múltiplas possibilidades das linguagens fotográficas, mas ele foi absolutamente feliz em desenvolver uma solução técnica que traduzisse o nosso zeitgeist. Ao ser retratado por ele entendi a mudança da geometria da relação fotografo, retratado e o drone. O Drone atua como uma entidade própria, inoculando a realidade com uma intervenção robótica que se posiciona entre os humanos que ali atuam a seu serviço. O sistema definiu o ponto de vista, o distanciamento é um imperativo. O Drone delimita isso. A foto é o retrato de uma situação, não necessariamente de uma pessoa. É nessa hora que o contexto se revela e fala algo sobre o tempo que estamos.

    Existe algo de artificial nas fotografias, todas parecem encenadas, mas aí reside a maior verdade do projeto, a situação que vivemos é artificial, gera um certo estranhamento de nós mesmos com nossa intimidade. Tivemos que inventar um novo espaço íntimo, injetar uma dose de sonho na vida que se mostrava repetitiva, desenvolver talentos abandonados, nos conectar com os outros de novas formas. A vida da quarentena não nos pareceu real e a nova normalidade nunca se naturalizou. Isso fica explicito na saturação de cores mais fortes do que a vida e na composição apurada de cada foto. Com os anos aprendi que as maiores verdades são contadas nas mentiras.

     

    Marcello Dantas

    Isolamento Alessandro – Piscina | Plate SF-Vs1

    , 2020

    Isolamento Guto | Plate DJI_0204

    , 2020

    Isolamento Janeth Haiti | Plate DJI_0091

    , 2020

    Isolamento Pepe Palhaço | Plate DJI_0785

    , 2020
    Claudio Edinger

    Aérea RJ Serra dos orgãos Montahas | Plate CLAU2194

    , 2020

    Machina Mundi – Los Angeles | Santa Monica Pier – Plate Vs2

    , 2020
    MACHINA MUNDI

    A obra de Claudio Edinger floresce na passagem da revolução digital, entre os anos 1970 e 2000, que deram impulso a uma teia imbricada de mudanças e deslocamentos. No ano 2000 Claudio passa a fotografar com uma câmera de grande formato, uma 4×5, que marca o início da sua pesquisa com foco seletivo. Esta é uma prática que diz respeito à profundidade de campo na superfície da foto, em que vemos apenas um plano em foco e tudo o mais desfocado. Para Claudio isso constitui “um paradoxo visual que evidencia a metáfora das nossas contradições”.

    Na série atual Machina Mundi, o artista assinala um lugar marcado por temporalidades complexas, situadas entre a imagem representada do fotográfico e a imagem da pintura abstrata.  Este lugar entre imagens expande o tempo do instantâneo e nos proporciona a oportunidade de uma observação prolongada, uma quase-imersão, que alcança o observador num passado quase-presente. Mas ele o faz repassando a história da arte moderna aos nossos olhos. Gradativamente, incorpora uma série de procedimentos às fotos, que vão desde aproximações com o Impressionismo – na diluição de contornos da imagem – até a leve desconstrução da representação.

    Esta aproximação com a pintura – que já podíamos apreciar em suas fases anteriores no colorido intenso que nos remetia a Gauguin – parece potencializar o sentido do discurso no tratamento quase pictórico conferido às paisagens urbanas, que resultam numa espécie de foto-pintura. Enquanto a representação do real se esvai, o ponto de fuga preserva a sua soberania no espaço bidimensional. Lidamos agora com diferentes profundidades de campo, em uma numerosa série fotográfica, que nos leva a pensar no esgarçamento dos limites da fotografia. Se antes o foco incidia sobre o significante, agora um espaço líquido protagoniza.

    A imagem que vemos hoje em Machina Mundi configura uma flutuação entre o olho do fotógrafo e as lentes da câmera. Ao mesclar o referente à expressão da realidade apreendida como se ela estivesse entre névoas, Edinger insinua tênues fronteiras entre o possível e o impossível. Ele explora a relação entre espaço real e espaço criado e ao trazer o invisível a nós, torna visível o que não tem espaço próprio. Estamos diante de situações de suspensão, a um passo do transbordamento, frente a espacialidades inusitadas, donde brotam conexões entre lugares e edifícios.

    Ao pesquisar novas construções de linguagem, Claudio adentra seus repertórios poéticos nas frestas das metrópoles. No silêncio e na solidão dos intervalos que os seus referentes evocam, ele nos coloca diante de paisagens reais, às quais confere um caráter ficcional pelas aproximações com o pictórico. São quase cenários, que nos remetem a filmes em que rastros de abandono se revelam; seriam estes indícios de evasão nestas cidades que beiram uma estética Blade Runner?

    As reflexões visionárias de Benjamin nos permitiram pensar a história das imagens técnicas e a dos meios à luz das transformações das relações de produção e das mudanças culturais no século XX. Atualizar este legado significa rever uma série de mudanças no campo ontológico e no campo da arte. Estas mutações dos modos de percepção na estética e na experiência social, implicam em uma visão que agora leva em conta a incidência do digital, o que fez com que a fotografia subvertesse sua função inicial documental e também a função de representar o real – ou a de registro – que ela teve para os fotógrafos até a década de 1960.

    Para Fatorelli, as mídias de base fotoquímica passaram por uma redefinição a partir da informática:

    “a passagem do sinal de luz para o sinal eletrônico marca a transição da modernidade para a contemporaneidade, colocando em perspectiva os valores materiais e simbólicos associados à representação fotocinematográfica, baseada no modo analógico de inscrição, projeção e difusão da imagem”.

    Se nos seus primórdios a fotografia ficava com a função de documentar fatos, enquanto o cinema se dedicava às narrativas e era visto como um meio de comunicação massiva, o fato é que ela promoveu mudanças no sistema da representação. Estas mudanças que desconstruíram a representação da realidade na pintura se iniciaram no Impressionismo com a diluição dos contornos da imagem e alcançaram o Abstracionismo Informal de Pollock, com a técnica do drip-painting.

    Na obra de Claudio, o documental não é exatamente uma função, mas sim uma prática arquivística.  As suas tomadas de tipos humanos, a captura da insanidade e o encapsulamento do tempo, ao longo de anos, nos leva a compreender o trabalho de Edinger pela ótica dos arquivos. Ele fotografou a loucura, o abandono, a pobreza, o bizarro, o popular, enfim a sua pesquisa tangenciou várias etapas e temas da modernidade fotográfica, e o acúmulo destas imagens sugere a ideia de coleção e de arquivo.

    Nas palavras de Edinger, “na fotografia cresce a nossa capacidade de enfrentar a grande catástrofe, o maior desastre enfrentado pelo homem: o tempo”. Ao longo de vinte anos, a pesquisa com o foco seletivo – que começou como experimento que tensionava a ilusão do código da perspectiva Renascentista – amadureceu e abriu-se em nova dimensão espacial. Agora o espaço constela diferentes temporalidades em sua obra. Ao distender e problematizar o tempo, transparece a tentativa inexaurível de recriar o universo da arte e da vida.
    No arquivo engendrado pelo artista, o que vemos é arte, capaz de expressar as mazelas de vozes coletivas. Pensamos no cotidiano colocado em relação com os conflitos da realidade e também na arte como campo libertário, possibilidade de transformação dos espaços pessoais internos. Tudo transposto para o universo dialético da experiência social, campo de percepção ampliada, a deixar-se afetar pelos incômodos e encantos de se viver em uma cultura complexa. E de se perguntar quais os rumos para novas condutas, qual o lugar da crítica social hoje, qual o nosso lugar no mundo.

    Referências
    Bennjamin, Walter, “L’oeuvre d’art à l’époque de sa reproductibilité technique”, Ed. Alla, Paris, 2007.
    Fatorelli, Antonio, “Fotografia contemporânea: entre o cinema, o vídeo e as novas mídias”, Ed. Senac Nacional, Rio de Janeiro, 2013, pg.18.

    Daniela Bousso

    Aérea SP Prédios e nuvens | Plate AER_0207

    , 2020

    Aérea RJ Serra dos Orgãos | Plate CLAU2068

    , 2020

    Aérea Santo Angelo nuvens de chuva | Plate DJI_0880

    , 2020
    Claudio Edinger
    Rio de Janeiro, 1952. Vive e trabalha em São Paulo, Brasil.

    Formado em Economia, Claudio Edinger é autor de 14 livros fotográficos e um romance. Começou a dar aulas de fotografia em 1979 na Parson’s School of Design e mais tarde no International Center of Photography, ambos em Nova York.

    Começou a fotografar no início dos anos 70, enquanto estudava Economia na Universidade Presbiteriana Mackenzie em São Paulo. Em 1975 teve sua primeira exposição individual no MASP, com fotografias do prédio Martinelli de São Paulo. No ano seguinte se mudou a Nova York, onde morou até 1996.

    As fotografias do Claudio Edinger têm aparecido nas revistas mais importantes do mundo, incluindo Stern, The New York Times, London Sunday Times, Vanity Fair, Frankfurter Allgemeine, El País, Time, Paris Match, Newsweek, entre outras. Suas obras foram exibidas no ICP de Nova York, no Pompidou em Paris, na Photographer’s Gallery em Londres, Perpignan Photo Fest, França, Higashikawa Photo Fest, Japão, Museu de Arte de São Paulo, Museu da Imagem e do Som (MIS), Instituto Cultural Itaú, Casa da Cultura Judaica e Centro Cultural Banco do Brasil.

    Atualmente seu trabalho integra várias coleções particulares e públicas.

    Isolamento Eduardo | Plate SF DJI 0278

    , 2020
    Claudio Edinger
    Isolamento,
    impressão de pigmento mineral no papel hahnemühle,
    160 x 130 x 5 cm,

      Isolamento Dado e Marina | Plate DJI_0151

      , 2020
      Claudio Edinger
      Isolamento,
      impressão de pigmento mineral no papel Hahnemühle,
      160 x 130 x 5 cm,

        Isolamento Lipe | Plate DJI_0647

        , 2020
        Claudio Edinger
        Isolamento,
        impressão de pigmento mineral no papel hahnemühle,
        160 x 130 x 5 cm,

          Isolamento Vitor Marigo | Plate DJI_0445

          , 2020
          Claudio Edinger
          Isolamento,
          impressão de pigmento mineral no papel hahnemühle,
          160 x 130 x 5 cm,

            Isolamento Alessandro – Piscina | Plate SF-Vs1

            , 2020
            Claudio Edinger
            Isolamento,
            impressão de pigmento mineral no papel hahnemühle,
            160 x 130 x 5 cm,

              Isolamento Guto | Plate DJI_0204

              , 2020
              Claudio Edinger
              Isolamento,
              impressão de pigmento mineral no papel hahnemühle,
              130 x 160 x 5 cm,

                Isolamento Janeth Haiti | Plate DJI_0091

                , 2020
                Claudio Edinger
                Isolamento,
                impressão de pigmento mineral no papel hahnemühle,
                130 x 160 x 5 cm,

                  Isolamento Pepe Palhaço | Plate DJI_0785

                  , 2020
                  Claudio Edinger
                  Isolamento,
                  impressão de pigmento mineral no papel hahnemühle,
                  130 x 160 x 5 cm,

                    Aérea RJ Serra dos orgãos Montahas | Plate CLAU2194

                    , 2020
                    Claudio Edinger
                    Machina Mundi,
                    impressão de pigmento mineral no papel hahnemühle,
                    160 x 200 cm,

                      Machina Mundi – Los Angeles | Santa Monica Pier – Plate Vs2

                      , 2020
                      Claudio Edinger
                      Machina Mundi,
                      impressão de pigmento mineral no papel hahnemühle,
                      130 x 160 x 5 cm,

                        Aérea SP Prédios e nuvens | Plate AER_0207

                        , 2020
                        Claudio Edinger
                        Machina Mundi,
                        impressão de pigmento mineral no papel hahnemühle,
                        160 x 200 cm,

                          Aérea RJ Serra dos Orgãos | Plate CLAU2068

                          , 2020
                          Claudio Edinger
                          Machina Mundi,
                          impressão de pigmento mineral no papel hahnemühle,
                          160 x 200 cm,

                            Aérea Santo Angelo nuvens de chuva | Plate DJI_0880

                            , 2020
                            Claudio Edinger
                            Machina Mundi,
                            impressão de pigmento mineral no papel hahnemühle,
                            160 x 200 cm,