A poética do artista, que vem sendo afinada há mais de vinte anos, é conhecida pelo repertório de símbolos, mitos e arquétipos que conjugam natureza e cultura, tencionando categorias a priori distintas, em busca de um pensamento mágico. Reunindo imagens de várias manifestações culturais, Vilela elabora um léxico próprio, tendo a natureza como constante protagonista. Onças, matas fechadas, densas florestas tropicais, folhagens, rios e barcos nos convocam a uma experiência imersiva. Diante de sua pintura, por vezes questionamos a noção de tempo histórico, como se a narrativa se situasse num suposto “estado primordial” do humano.

É preciso, ainda, situar a obra do artista dentro de questões caras ao século XXI, como o colapso do modelo civilizatório ocidental junto ao intenso movimento de revalorização de saberes e tecnologias de comunidades tradicionais. A partir da experiência de catástrofes ininterruptas e múltiplas falências do projeto moderno, questionamos o privilégio da ciência em detrimento de outros modelos de produção de sentido. Creio que o trabalho de Vilela está orientado com esta perspectiva, uma vez que traz a tona um conjunto de referências dissidentes, como a religiosidade afro-brasileira e os mitos amazônicos. Pollyana Quintella.