Kilian Glasner | Noite Clara, Dia Escuro

8 abril - 15 maio 2015

ONDE HABITAM AS MEMÓRIAS
Curadoria de Paulo Kassab Jr.

Impossível não associar o trabalho de Kilian Glasner ao branco e preto. Uma morada construída em valores tonais, cores neutras. Admiráveis nostalgias perpetuadas por ruas e cidades até então habitadas por um misterioso vazio. Um branco denso a obscurecer o papel feito névoa. O mestrado na Beaux Arts de Paris influiu tanto em seu trabalho quanto o período de mais de oito anos em que vagueou sem pertencer a lugar algum. Vistas esplêndidas foram desenhadas pelo artista que se transformou em saudade. Absorveu reflexos da imaginação e os fez verdade em seus quadros. “A forma do mundo em que o homem nasceu já está dentro dele como imagem virtual” disse Carl Jung. É esta imagem quimérica que enxergamos nas obras de Kilian.
O artista não escolhe seu olhar sobre o mundo, mas é capaz de guardar no inconsciente correlações que já existem mas que são pouco percebidas pelos outros.
Na exposição “Noite clara, dia escuro”, o artista irrompe 15 anos de preto e branco e volta à cor ao mesmo tempo que encontra sua casa, longe das metrópoles, em Gravatá-PE. O cenário dos novos desenhos lembra ficção científica: três faróis indicam a hora da partida. Da cabine do avião, na obra “Horizonte Artificial”, vê se as luzes da cidade. Este mesmo avião parece ter saído do aeroporto no trabalho “turbulência”, de 2012, para finalmente aterrar, permanecer em terra firme. O trajeto continua com faróis de carros que se mesclam ao brilho do entardecer e estrelas que se misturam a vagalumes. Da janela, o espectador contempla o que viu o artista sem precisar passar pelos mesmos percalços que ele passou, está distante, protegido pelas paredes que impedem que nos dissipemos na imensidão da terra.
Com carvão, pastel, tinta acrílica e a óleo, Killian constrói sua linguagem: imagens impregnadas de beleza, perplexidade e encantamento. Todos os locais e objetos retratados fazem parte da sua morada, alguns próximos do olhar, na paisagem serena de seu refúgio em Gravatá - PE, outros habitam os sons infindáveis de sua imaginação. Entre a realidade e a ficção, o artista propõe distintas formas de ver o universo e, assim, vai se apoderando paulatinamente das coisas que pinta, roubando-as do mundo, modificando sua condição inicial para, enfim, devolver ao espectador realidades potencializadas por sua inventividade.



Catálogo Kilian Glasner - Noite Clara, Dia Escuro

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