José Dias Herrera | Pelé - A Construção de um Rei!

JOSÉ DIAS HERRERA, O MAIOR MARCADOR DE PELÉ
Por Odir Cunha

Desde os primeiros dias em que chegou à Vila Belmiro, o garoto vindo de Bauru já teve os gestos e o sorriso registrados pelo fotógrafo José Dias Herrera, o Zezinho.
Simples, discreto, Herrera testemunhou a rápida transformação do menino artilheiro em herói. Para ele, “sensibilidade, capricho e gostar do que faz são os segredos para uma boa foto, além da sorte de se estar no local certo, no momento certo”.
Aos sete anos, Zezinho – filho de um vidraceiro do Brás que tinha se mudado com a família para Santos – passeava pela rua Amador Bueno quando se deslumbrou com a vitrine da Casa Worisptz, a única que comercializava equipamentos fotográficos em Santos. Luiz Worisptz percebeu o interesse do menino e quis saber se ele queria trabalhar na loja. Começava ali, em 1934, uma das mais longas e felizes histórias de amor de um homem pela fotografia.
Três anos depois, no jornal “O Diário”, Herrera iniciava a mais longa carreira de um repórter-fotográfico no Brasil. Foram 20 anos em “O Diário”, 22 em “A Tribuna”, outros tantos como colaborador de “O Cruzeiro”, “A Gazeta Esportiva”, “Folha de São Paulo” e “O Estado de São Paulo” e mais 22 como fotógrafo da Prefeitura de Santos. 72 ao todo!
Além de Pelé, acompanhou ainda figuras notáveis da história brasileira, como os presidentes Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros, o revolucionário Luís Carlos Prestes...
Fez inúmeras viagens com o Santos de Pelé, mas as ausências não atrapalharam o harmonioso casamento com Ilza Queiroz Herrera, que lhe deu as filhas Ilka e Laís.
Por sua influência, seus irmãos mais novos, Rafael e Francisco (Paco), também se tornaram fotógrafos. Herrera conhecia todas as tecnologias usadas na fotografia, desde o flash com pólvora aos modernos equipamentos digitais.
Adorava Santos. Só foi morar em Campinas em 2009, a pedido das filhas, depois que um câncer no estômago se manifestou. Morreu aos 89 anos, em 17 de janeiro de 2010, um domingo (nasceu em 15 de abril de 1920, quarta-feira). Deixou mulher, duas filhas, cinco netos, um bisneto e 19.162 negativos. Foi sepultado no Memorial Acrópole Ecumênica, no bairro Marapé, em Santos.