Florian Raiss e Paulo Von Poser | Órbitas

Ao olhar imediato, os trabalhos de Florian Raiss e Paulo Von Poser podem revelar-se opostos. As limitações e os conflitos do homem contra o amor imaculado das rosas ou as formas bem definidas da cidade. No entanto, após uma observação mais profunda, nota-se uma intensa complementaridade assinalada pela pesquisa do ser humano em suas subversões e pelas representações que retratam seus anseios. Na resistência racional do “ser” aos impulsos animais, a humanidade se expressa através dos seus símbolos, suas metáforas.
Na exposição Órbitas, os artistas dialogam em uma superfície sem começo nem fim, intensificando a percepção da imagem no espaço e permitindo a análise por parte do espectador.
Condição imperativa para a formação da órbita, a influência de um astro, ou objeto, sobre o outro foi empregada de modo sutil. Florian e Paulo pensaram em 17 esferas pois, pela forma, elas fazem com que o observador nunca consiga ver dois lados simultaneamente, ou seja, apenas uma parte da “verdade” é revelada, enquanto a outra se forma pela imaginação daquele que vê a obra e a recria de acordo com sua realidade.
Assim voltamos aos assuntos estudados pelos dois artistas durante mais de 30 anos: o homem como autor e revelador da sua própria condição e do seu entorno. A imaginação não como um estado, mas como a própria existência humana, como definiu William Blake.