Alberto Ferreira | Construção de Brasília

Alberto Ferreira assistiu de perto a todo processo de construção de Brasília. Acompanhando Juscelino Kubitschek em suas idas e vindas para a cidade, o fotógrafo criou um dos mais importantes, e pouco divulgados, testemunhos visuais sobre a construção da capital.
Inspirada nos ideiais modernistas, a nova capital surge como uma alternativa para revelar ao mundo, através da arquitetura, o crescimento do país e uma resposta aos problemas enfrentados pelas sociedades após a revolução industrial: com a ampliação descontrolada das cidades, havia cada vez menos áreas verdes, maior necessidade de um planejamento para os transportes, poluição e ruídos excessivos.
Mais do que um documentarista, Alberto estava a frente do seu tempo e, diferente de outros que acompanharam a criação de Brasília, não se iludia com o novo projeto. Em 1960, no ano da inauguração da capital, o fotógrafo já vislumbrava as dificuldades de se ter uma capital no interior do país e os problemas trazidos por um planejamento que, sem intenção, segregava as diferentes classes sociais em suas zonas de habitação.
Como diretor de fotografia do Jornal do Brasil, Ferreira cumpria com a ética e obrigação jornalística de mostrar o que acontecia sem distorcer os fatos. Nas 12 fotos expostas e nas outras que fazem parte da série, podemos ver , além de belas imagens, o contraste entre os políticos, exaltados com a capital federal (e talvez com a distância entre ela e outras cidades, que os daria arriscada liberdade em suas decisões), as pessoas da alta sociedade (crendo num novo país), e os candangos, construtores da cidade que posteriormente acabaram ficando à margem do projeto habitacional e foram viver em periferias.
A exposição é um retrato inédito da euforia e das descrenças alastradas junto à inauguração de Brasília, imagem de um país caracterizado pelo antagonismo.